Siddiq Barmak, 2003, Irã
Quando o Talibã assumiu o controle de Kabul, após duas semanas fui obrigado a fugir de lá para o norte passando pelas planícies de Shamali. Depois de dois anos e meio imigrei para o Paquistão. Enquanto no Paquistão, pensava em fazer um curta de ficção, e tentava encontrar temas e personagens especiais. No começo queria coletar o máximo possível de informações, associando os fatos de minha vida real às experiências e recordações de outras pessoas. Coincidentemente, li uma carta de uma velha professora afegã, a respeito de uma pequena menina que tinha um grande desejo de estudar e freqüentar uma escola, durante o regime Talibã, quando isso era proibido para as garotas. Ela modificou sua aparência para parecer-se com um menino, cortando os cabelos e vestindo roupas masculinas. Naturalmente foi uma história que chocou a mim e aos meus amigos. Aquela história inspirou o meu filme Osama. Osama é uma história trágica e amarga, sobre a vida afegã sob o regime Talibã, numa época terrível, quando ninguém podia tomar suas próprias decisões. É uma história sobre aqueles que perderam suas identidades e seus direitos, contada através de uma pequena menina, Osama. É uma história sobre o medo, numa época em que as pessoas sentiam medo até de suas próprias sombras. É a respeito das infinitas injustiças cometidas contra as mulheres. E é uma história sobre uma menininha que é envolvida por essa injustiça religiosa e extremista, forçando-a a carregar um peso demasiadamente grande para seus pequenos ombros.