FILMOTECA

Dez

Abbas Kiarostami, 2002, Irã e França

O filme é composto de uma dezena de conversas dentro de um carro. Em todas, há uma mulher. Ela dirige o automóvel. É liberal, moderna, divorciada. Discute com o filho, fala com as irmãs, dá carona para uma velha, briga no trânsito e fica intrigada com uma prostituta. A relação intensa com o filho evidencia os dilemas e os problemas da mulher no país. Os planos são fixos. Foram filmados por uma pequena câmera de vídeo, presa no painel do veículo, para deixar os atores à vontade. Busca-se e encontra-se autenticidade com poucos recursos. Desses bate-papos emerge um micro-painel sobre a vida das mulheres no Irã, marcada por muitos deveres e poucos direitos. O cineasta faz um libelo pela subversão feminina em relação às engrenagens machistas de poder. Sua protagonista não admite a subserviência e nega uma visão determinista. Ela semeia a idéia de que na vida tudo é questão de opção e, quando diante de sofrimentos ou perdas, o melhor caminho está em olhar adiante e reinventar a trajetória. É uma postura política em um filme à altura do título.

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